Meu templo











“Vem sem receio: eu te recebo
Como um dom dos deuses do deserto
Que decretaram minha trégua, e permitiram
Que o mel de teus olhos me invadisse.

Quero que o meu amor te faça livre,
Que meus dedos não te prendam
Mas contornem teu raro perfil
Como lábios tocam um anel sagrado.

Quero que o meu amor te seja enfeite
E conforto, porto de partida para a fundação
Do teu reino, em que a sombra
Seja abrigo e ilha.




{Maio 3, 2008}   O Amor…Khalil Gibran

“Quando o amor te acenar, segue-o,
ainda que por caminhos ásperos e íngremes.

E quando suas asas te envolverem,
rende-te a ele,
ainda que a lâmina escondida sob suas asas possa ferir-te.

E quando ele te falar , acredita no que ele diz,
ainda que sua voz possa destroçar teus sonhos,
assim como o vento norte açoita o jardim.

Pois, se o amor te coroa, ele também te crucifica.
Se te ajuda a crescer, também te diminui.
Se te faz subir às alturas
e acaricia teus ramos mais tenros, que tremem ao sol,
também te faz descer às raízes
e abala a tua ligação com a terra.

Como os feixes de trigo, ele te mantém íntegro.
Debulha-te até que fiques nu.
Transforma-te, retirando a tua palha.
Tritura-te, até que estejas branco.
Amassa-te, até que te tornes macio;
e então te apresenta ao fogo,
para que te transformes em pão,
no banquete sagrado de Deus.

Todas essas coisas pode o amor realizar,
para que saibas dos segredos do teu coração,
e com esse conhecimento sejas um fragmento
do coração, da vida.



{Abril 30, 2008}   Tenho fases como a lua…

Lua Adversa

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua…
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua…)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua…
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu…
(Cecília Meirelles)



{Abril 30, 2008}   Khalil Gibran…

A TEMPESTADE

O Pássaro e o homem têm essências diferentes.
O homem vive à sombra de leis e tradições por ele inventadas;
o pássaro vive segundo a lei universal que faz girar os mundos.

Acreditar é uma coisa; viver conforme o que se acredita é outra.
Muitos falam como o mar, mas vivem como os pântanos.
Muitos levantam a cabeça acima dos montes,
porém sua alma jaz nas trevas das cavernas.

A civilização é uma árvore idosa e carcomida,
cujas flores são a cobiça e o engano e cujos frutos
são a infelicidade e a inquietação.

Deus criou os corpos para serem os templos das almas.
Devemos cuidar desses templos para que sejam
dignos da divindade que neles tem morada.

Procurei a solidão para fugir dos homens, de suas leis,
de suas tradições e de seu ruído.
Os endinheirados pensam que o sol e a lua e as estrelas
levantam-se dos seus cofres
e se deitam nos seus bolsos.

Os políticos enchem os olhos dos povos com poeira dourada
e seus ouvidos com falsas promessas.

Os sacerdotes aconselham os outros,
mas não aconselham a si mesmos,
e exigem dos outros o que não exigem de si mesmos.
Vã é a civilização. E tudo o que está nela é vão.
As descobertas e invenções não são mais que brinquedos,
com a mente se divertindo no seu tédio.

Cortar as distâncias, nivelar as montanhas,
vencer os mares,
tudo isso não passa de aparências enganadoras,
que não alimentam o coração nem elevam a alma.

Quanto a esses quebra-cabeças, chamados ciências e artes,
nada são senão cadeias douradas
com as quais os homens
acorrentam-se, deslumbrados com seu brilho e tilintar.

São os fios da tela que o homem tece
desde o inicio do tempo,
sem saber que, quando terminar sua obra,
terá construído a prisão
dentro da qual ficará preso.

Uma coisa só merece nosso amor
e nossa dedicação,
uma coisa só…

É o despertar de algo
no fundo dos fundos da alma.
Quem o sente,
não o pode expressar em palavras.
E quem não o sente,
não poderá nunca o conhecer por palavras.
Faço votos para que aprendas
a amar as tempestades
em vez de fugir delas.



etc.